<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750</id><updated>2012-02-16T18:22:59.136-08:00</updated><title type='text'>Cidadelas</title><subtitle type='html'>Blogdocidadelas é produzido pelas jornalistas Cláudia Fernandes e Darlene Paiva. O blog traz textos femininos, não feministas, sensíveis, não piegas, críticos, não partidários. Leiam e saboreiem cada palavra. Das autoras</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-6114362947243806062</id><published>2011-09-01T11:02:00.001-07:00</published><updated>2011-09-01T12:35:00.104-07:00</updated><title type='text'>Choque analógico</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-3hlHsMu7jbA/Tl_JIW_QqSI/AAAAAAAAADo/IhH8hjpC5LY/s1600/Tel-disco-20110622132045.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 235px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-3hlHsMu7jbA/Tl_JIW_QqSI/AAAAAAAAADo/IhH8hjpC5LY/s320/Tel-disco-20110622132045.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5647453603192940834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia de repouso forçado em casa por uma crise de diverticulite me pôs diante de um fenômeno curioso e engraçado, que resolvi chamar de “choque analógico”. Sem ter muito o que fazer, resolvi colocar meu bom e velho “três em um” da Sharp (quem se lembra?) em funcionamento, com os LPs clássicos de minha juventude. Logo, logo, Joãozinho desviou a atenção do computador para “ver” como o som saía do bolachão preto após ser percorrido pelo braço com uma agulha. Poucas músicas depois, se espantou ao me ver virar o disco para ouvir o outro lado.&lt;br /&gt;Flanando pela casa tranquila enquanto o restante saudável da família trabalhava, eu e o menino, que cumprira pela manhã seu único compromisso do dia – as aulas da terceira série - , resolvemos tentar consertar o telefone sem fio da sala. Para testar a tomada e me certificar que o problema não estava no aparelho, troquei-o por um daqueles modelos analógicos da Telesp, quadrado, cor de areia, com disco, um dos primeiros aparelhos da casa dos pais da minha mulher, nos anos 1970, que eu guardava na minha “coleção de cacos”. Uma vez instalado, pedi ao Joãozinho que testasse o telefone ligando para o celular da mãe dele. Ele parado em frente ao telefone do século passado e aí veio a pergunta: “Como eu faço a ligação, se não tem teclas?”. Não lhe passou pela cabecinha digital que ele deveria introduzir o dedinho indicador no orifício correspondente, no disco, e puxá-lo até o limitador. Tive de explicar ao menino que, apesar de inteligente, não intuiu o funcionamento do aparelho, diferentemente do que ocorre com o videogame, o laptop, o celular, a câmera digital ou o controle da TV a cabo. O menino travou diante de um telefone da Telesp e sua "ficha" não caiu. Uma vez descoberto o segredo de como colocar o ovo em pé, passou a tarde fazendo ligações para a família, curtindo o velho telefone de discar da casa da vovó.&lt;br /&gt;Uma sensação boa, de alma lavada, me passou pela cabeça: me senti vingado pelas humilhações impostas por ele com o Playstation e com o controle da NET Digital. Nada como um choque analógico para uma mente nascida e criada na era dos bits.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agosto de 2011.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-6114362947243806062?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/6114362947243806062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=6114362947243806062' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/6114362947243806062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/6114362947243806062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2011/09/choque-analogico.html' title='Choque analógico'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-3hlHsMu7jbA/Tl_JIW_QqSI/AAAAAAAAADo/IhH8hjpC5LY/s72-c/Tel-disco-20110622132045.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-6226622590567791138</id><published>2011-04-23T16:36:00.000-07:00</published><updated>2011-04-26T08:21:09.965-07:00</updated><title type='text'>Gran Torino</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-MF0alSj2eQw/TbWFRBUIHeI/AAAAAAAAADc/zm6zIqNLjv8/s1600/imagesCAJF29JF.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 224px; height: 224px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-MF0alSj2eQw/TbWFRBUIHeI/AAAAAAAAADc/zm6zIqNLjv8/s320/imagesCAJF29JF.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599528239162203618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho da chuva na madrugada impediu qualquer chance de que alguém pudesse ouvir o arrombamento do cadeado no portão de ferro. Ato contínuo, os gatunos, porque há consenso na família de que foi mais do que um, abriram o veículo e o empurraram, sem ligar o motor barulhento, para fora da garagem. O que houve a seguir é apenas especulação, de todo inútil, pois o resultado é que o Fusca 1994 modelo Itamar, único dono, comprado na concessionária no ano em que foi fabricado, fora surrupiado. De nada adiantou o boletim de ocorrência exigido, para noticiar à autoridade policial que um crime fora cometido, havia uma vítima e era, pois, necessário prender os meliantes e devolver o bem subtraído ao seu legítimo dono. Nada. À medida em que os dias se passaram, não houve vela de sete dias que fizesse o telefone tocar e um policial, civil ou militar, tanto faz, trazer alvíssaras. “Senhor, seu automóvel foi localizado na favela tal, está intacto, exceto um pequeno amassado no para-lama frontal direito (que já existia antes do furto, mas os agentes da lei não sabiam disso). Pedimos que o senhor compareça à delegacia, com os documentos do mesmo, para reaver seu bem. A Polícia de São Paulo agradece sua confiança e se coloca à sua disposição”, diria o policial ao telefone.&lt;br /&gt;Mas, de volta à realidade, o fato, também especulativo, é que o Fusca verde azulado, ou azul esverdeado, saiu da garagem para atender a uma encomenda de algum desmanche clandestino. Ou seja, logo após ter sido roubado, foi recortado e suas peças, devidamente descaracterizadas. O mesmo ocorreu com o motor. Então, não havia pedido a Santo Expedito ou mesmo pragas rogadas contra os ladrões que trouxessem o Fusca de volta.&lt;br /&gt;O furto do Fusca encerrou melancolicamente a vida de motorista de seu proprietário. Aos 89 anos, ele já tivera de recorrer, com a ajuda dos filhos, a um expediente escuso para renovar sua carteira de motorista. A visão embaçada pela catarata e os reflexos lentos seriam impeditivos para a renovação da licença, que o filho e a mulher insistiram em prorrogar, pelo menos até o ano que vem.&lt;br /&gt;Até o furto, o Fusca era utilizado para saídas curtas pelo bairro, sempre na companhia da mulher: comprar ração para as galinhas, buscar algo no supermercado, levar a Tina, uma cadela Weimaraner cinza de olhos azuis, ao passeio. A Tina já abrira mão dos passeios havia algum tempo, por dores nas pernas para entrar no veículo, ou, versão maldosa, por medo das barbeiragens do motorista. Há algum tempo, numa volta pelo bairro, o Fusca e seu motorista se envolveram na queda de um motociclista. O homem atrás do volante nem se abalou, continuou seu trajeto e, perguntado porque não parou para ver se o da moto tinha se ferido, disse: “Machucou nada, já estava de pé, e afinal, a culpa foi toda dele”.&lt;br /&gt;Mas não foi sempre assim. Seu primeiro carro, um Fuscão coral 1971, foi adquirido usado quando ele já passava dos 50 anos. Foi resultado de duras economias no salário que mal dava para sustentar a família, mulher e quatro filhos. O Fuscão era tratado como um sedã de luxo: limpeza cuidadosa aos sábados, pneu pretinho, cera e, caso fosse obrigado a sair em dias de chuva, não dormia sem ser devidamente enxugado. Depois, vieram outro Fusca, alguns Chevettes e um Del Rey Guia a álcool, numa época em que isso significava enormes dores de cabeça para fazer o carro pegar em dias frios. A todos ele dedicou os mesmos cuidados: limpeza, o tanque sempre cheio, porta-luvas arrumado e “cheirinho” no painel. Mas o Fusca ora furtado era especial. Foi o primeiro carro zero, saído da concessionária com plástico nos bancos e com o tal “cheiro de carro novo”.&lt;br /&gt;Um dos seus filhos pretendia ficar com ele, não como herança financeira, mas como relíquia. Após, obviamente, indenizar os irmãos. Mas não deu.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, a TV a cabo reprisou Gran Torino, filme de Clint Eastwood no qual ele faz Walt Kowalski, um veterano da Guerra da Coreia, ex-trabalhador na indústria automobilística, que cuida com esmero de seu Ford Gran Torino, até que uma gangue de orientais da vizinhança tenta furtar o automóvel. A força de Kowalski, apesar da idade e da aposentadoria, seu cuidado pelo veículo, me fizeram lembrar do amor de meu pai por aquele Fusca. No cinema americano, Clint dá uma surra nos bandidos e impede o roubo de seu bem. Em Santo André (SP), o 3o Distrito Policial arquiva o caso e encerra com tristeza a história de um homem e seu Fusca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abril de 2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-6226622590567791138?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/6226622590567791138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=6226622590567791138' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/6226622590567791138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/6226622590567791138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2011/04/gran-torino.html' title='Gran Torino'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-MF0alSj2eQw/TbWFRBUIHeI/AAAAAAAAADc/zm6zIqNLjv8/s72-c/imagesCAJF29JF.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-6891245252376510891</id><published>2011-03-20T18:25:00.000-07:00</published><updated>2011-03-22T12:05:48.399-07:00</updated><title type='text'>Síndrome do Por do Sol</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8KZuFBvruVQ/TYapaDkljgI/AAAAAAAAADU/lwhXQpOMyVI/s1600/Lusco-fusco%2B-%2BZwielicht.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-8KZuFBvruVQ/TYapaDkljgI/AAAAAAAAADU/lwhXQpOMyVI/s320/Lusco-fusco%2B-%2BZwielicht.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586338652900134402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o cair da tarde, dona Flor enfia uma muda de roupa numa dessas sacolinhas de supermercado e se prepara para voltar para casa. Depois do dia de passeio na companhia das amigas e amigos do Lar Raio de Sol, a senhorinha franzina, calça comprida preta, sandália aberta exibindo as unhas dos pés pintadas de rosa e conjunto de blusa e casaquinho vermelhos pergunta ansiosa à funcionária do asilo se o filho já chegou para buscá-la. “Ainda não, dona Flor, mas já, já ele estará aqui”, responde com paciência mecânica a moça. Dona Flor se distrai, a noite cai e ela se esquece do filho. Até o crepúsculo seguinte.&lt;br /&gt;Todas as tardes, a conversa se repete no Lar Raio de Sol. Todas as tardes, o Mal de Alzheimer faz com que dona Flor se esqueça de sua condição de abrigada e expresse seu desejo de voltar para casa. É a síndrome do Por do Sol. Após um dia de lazer, quase um piquenique com os amigos, dona Flor gostaria de voltar para casa, para estar na companhia dos filhos e netos.&lt;br /&gt;A rotina no Lar Raio de Sol inclui hospedagem, assistência médica e psicológica e todo o apoio que funcionários pagos podem dar a quase duas dezenas de idosos. A família desembolsa cerca de R$ 2 mil mensais para mantê-los ali. É pouco, até, pela desobrigação de acordar e dormir olhando para eles, ter de repetir várias vezes a mesma resposta e conviver com o horror de não ser reconhecido pelo próprio pai ou pela própria mãe.&lt;br /&gt;A funcionária conta que, às vezes, o filho realmente visita dona Flor. Vem à tarde, com o dia claro. Ela se distrai, vai ao banheiro e, ao voltar, se surpreende com a presença dele, a quem vira há poucos minutos. “Você veio me ver?”.&lt;br /&gt;O Mal de Alzheimer é talvez a mais cruel das doenças. Destrói a capacidade de ter lembranças, destrói os laços afetivos mais profundos, como aqueles que, geralmente, unem mãe e filho, pai e filha por toda a vida. Preserva funções vitais, mas mata a vaidade, o orgulho, a memória e a capacidade de amar. Nos último estágio, destrói conhecimentos instintivos, como o de mastigar e engolir. O doente pode morrer de inanição, pois não sabe o que fazer com sua fome...&lt;br /&gt;Para os parentes, os filhos, a mulher, o marido, os netos, é como se o Mal de Alzheimer tivesse levado a pessoa amada e deixado sua carcaça, como a provar que a crueldade da vida não tem limites. Em vez de chorar seu morto à beira da sepultura, após um enterro digno e uma despedida emocionada, vai-se despedindo dele todos dias, a cada por do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Março de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-6891245252376510891?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/6891245252376510891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=6891245252376510891' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/6891245252376510891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/6891245252376510891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2011/03/sindrome-do-por-do-sol.html' title='Síndrome do Por do Sol'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-8KZuFBvruVQ/TYapaDkljgI/AAAAAAAAADU/lwhXQpOMyVI/s72-c/Lusco-fusco%2B-%2BZwielicht.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-4340885153776324030</id><published>2011-02-28T11:34:00.001-08:00</published><updated>2011-02-28T11:56:26.563-08:00</updated><title type='text'>Louco por futebol</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-rDe7AMAh1EI/TWv8GEH-8LI/AAAAAAAAADM/f3hEuVCrxNY/s1600/doc.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 262px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-rDe7AMAh1EI/TWv8GEH-8LI/AAAAAAAAADM/f3hEuVCrxNY/s320/doc.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578829744545132722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-hjxsdS_MhVc/TWv79F0zVBI/AAAAAAAAADE/FNAbCeROsVA/s1600/doc1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 260px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-hjxsdS_MhVc/TWv79F0zVBI/AAAAAAAAADE/FNAbCeROsVA/s320/doc1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578829590382728210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem imagino de onde vem a paixão do Joãozinho pelo futebol. Herança paterna aposto que não é. Sou o pai dele e não entendo nada do que acontece entre as quatro linhas do gramado. Ou melhor, não entendia, pois passei a me cercar de consultores especializados, como Vitor Giglio, um amigo do trabalho. Giglio é quase uma enciclopédia ambulante no assunto, ou melhor, uma versão mais “amigável” do Google, capaz de me abastecer de informações que, mais tarde, orgulhoso, repassarei com convicção ao menino. Muitas vezes sou obrigado a assumir minha ignorância, digo que não faço a menor ideia da resposta e prometo consultar o Giglio.&lt;br /&gt;Joãozinho acorda futebol e dorme futebol. Também come futebol e, claro, assiste ao futebol e joga futebol. Mesmo que seja no corredor de casa e resulte em estatuetas pernetas, lâmpadas estilhaçadas e marcas de bola na parede branca.&lt;br /&gt;Embora eu ache que me falte um gene ou um neurônio específico que me impeça de gostar e de entender minimamente a lógica e as regras do esporte bretão, decidi-me que a função de pai de um menino louco por futebol me obrigava a algumas atitudes. Dentre elas uma que eu postergava década após década. Nunca, antes do último domingo, eu havia pisado em um estádio, com o propósito de assistir a um jogo. Estivera numa arena dessas poucas vezes, mas por dever de ofício. Já que minha profissão de repórter me levara antes até lá. Mas para assistir a uma peleja, pagando ingresso, nunca.&lt;br /&gt;Pois bem, decidi que seria eu, e não outro, que levaria o moleque pela mão para assistir a um clássico, com seu time do coração, o São Paulo. A partida escolhida: São Paulo e Palmeiras, arqui-rivais de longa data. O palco: o Morumbi, a casa tricolor. O setor: arquibancada laranja, a preferida da torcida Independente. Os coadjuvantes: Alex, meu cunhado são-paulino e seu filho de 4 anos, Vinícius, que também fazia sua estreia. Os protagonistas: Joãozinho e eu.&lt;br /&gt;Ingressos comprados, lá fomos nós com horas de antecedência para o estádio. A expertise do Alex determinava o procedimento: bermuda de tactel, para secar logo em caso de chuva, capa plástica para eventuais torós e dinheiro trocado para o sorvete “genérico”. Paramos o carro a pelo menos um quilômetro do portão por onde entraríamos, para nos livrarmos da extorsão: R$ 50 para estacionar perto da entrada. Com o ânimo de quem vai, a expectativa do Joãozinho ficava  explicitada nas 1001 perguntas. Como chegamos cedo, ainda gozamos de um tratamento civilizado dos PMS encarregados de nos revistar e dos “orientadores” nas catracas. “Meio ingresso entra pela esquerda, inteiro pela direita”, anunciavam. Como eu me separaria do menino, neste caso? “Se o senhor autorizar, entro com ele e o entrego ao senhor logo ali”, garantiu o orientador, solícito. “Claro”, arrisquei.&lt;br /&gt;Vencida esta etapa, lá fomos nós, Alex indicando o caminho, para nossos lugares. O céu negro indicava que um dilúvio cairia sobre a cidade. Não deu outra e, minutos antes do horário marcado para o início do jogo, o céu desaba sobre São Paulo. Lá vamos nós nos proteger na marquise, já sob a ameaça dos treinadores de que não entrariam em campo se a chuva não desse trégua. Uma hora depois, com o gramado ainda encharcado, tinha início o jogo histórico para o Joãozinho: seu primeiro jogo, um clássico, com ingredientes para torná-lo mais inesquecível ainda: uma chuva torrencial, a ameaça de cancelamento, a arquibancada laranja, o Tio Alex, o primo Vinícius... E o papai, a lhe proporcionar tudo aquilo.&lt;br /&gt;Ah! O jogo acabou empatado, com gol de Fernandinho para o São Paulo e de um certo Adriano para “eles”. Que contaram, claro, com um jogador a mais: o filho da puta do juiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Algumas perguntas a quem souber a resposta: 1) Por que não há lixeiras no estádio? 2) Por que não vendem cerveja ou outra bebida alcoólica no estádio, mas maconha e outras drogas ilícitas têm consumo liberado? 3)Por que os palavrões, os mais cabeludos,são obrigatórios, mesmo em conversas amigáveis?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fevereiro de 2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-4340885153776324030?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/4340885153776324030/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=4340885153776324030' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/4340885153776324030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/4340885153776324030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2011/02/louco-por-futebol.html' title='Louco por futebol'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-rDe7AMAh1EI/TWv8GEH-8LI/AAAAAAAAADM/f3hEuVCrxNY/s72-c/doc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-58071885057996258</id><published>2011-02-22T06:09:00.000-08:00</published><updated>2011-02-25T05:24:06.082-08:00</updated><title type='text'>Televisão</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-P5SgJKx_EOw/TWUXcH6L4CI/AAAAAAAAAC0/QahdxvUdXPM/s1600/imagesCAR0AIB3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 210px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-P5SgJKx_EOw/TWUXcH6L4CI/AAAAAAAAAC0/QahdxvUdXPM/s320/imagesCAR0AIB3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576889485495099426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que me entendo por gente havia uma televisão na sala de casa. Uma caixa de madeira, quadrada, com imagens em preto &amp; branco. Os botões de volume, contraste e brilho, além do “seletor de canais”, ficavam na lateral. Na frente, apenas o tubo de imagens e a marca: “Silverstone”, vendida com exclusividade na Sears Roebuck. Eu amava aquela TV acima de todas as coisas. A anos-luz de qualquer coisa parecida com computador e internet, aquela caixa fantástica despertava em mim conjecturas a respeito do seu funcionamento, da formação da imagem na tela e até de quem escolhia o desenho que eu iria ver. Às vezes, antes de começar a sessão Hanna-Barbera ou Harvey Toons, eu ficava torcendo para que o “homem” escolhesse aquele que eu gostaria de ver (ou rever, já que não havia assim tantos desenhos).&lt;br /&gt;Como nossa TV ficava ligada muitas horas por dia (mas não tantas como hoje, já que a programação geralmente começava à tarde), costumava apresentar defeitos. As válvulas começavam ficando azuladas e acabavam queimando. Toca meu pai ir chamar o seu Artur. Ir chamar literalmente, já que nem nós, nem o seu Artur, possuíamos telefone próprio, em meados da década de 60. Seu Artur, o técnico, era um velhinho calvo, com alguns poucos cabelos brancos nas laterais e parte posterior da cabeça. Usava óculos redondos, de aro de metal dourado. Visitava os clientes a bordo de uma perua que lhe servia também de estoque de peça. “Veja se consegue passar lá em casa ainda hoje, porque o menino morre sem a televisão”, imagino meu pai dizendo ao técnico.&lt;br /&gt;No final da tarde, depois de fechar a oficina, seu Artur estacionava sua perua em frente à nossa casa e descia do carro, como um médico que faz uma visita de emergência ao enfermo. Maleta de couro na mão e um jaleco branco sobre o terno. Sim, porque o seu Artur fazia seu trabalho de terno e gravata.&lt;br /&gt;Enquanto ele examinava a televisão, eu aguardava num canto do sofá, como alguém da família que espera o diagnóstico e torce para a sentença não seja de muita gravidade. “É uma válvula que queimou, mas tenho outra aqui”, era o que eu gostava de ouvir. Um dia, veio a notícia: “Queimou o flyback, vou ter que levar para a oficina”, disse um seu Arturt compungido em decepcionar aquele menino de camiseta listrada. Nesse dia, passei a considerar o flyback como a "alma" da televisão.&lt;br /&gt;Nessas horas entrava o plano B. A coisa era tão grave que minha mãe tratava de arrumar um vizinho que tivesse TV e me aceitasse pelo menos uma horas por dia em sua sala.&lt;br /&gt;Afinal, eu não podia perder “Os Valentes do Oeste”, ou podia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-58071885057996258?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/58071885057996258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=58071885057996258' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/58071885057996258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/58071885057996258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2011/02/televisao.html' title='Televisão'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-P5SgJKx_EOw/TWUXcH6L4CI/AAAAAAAAAC0/QahdxvUdXPM/s72-c/imagesCAR0AIB3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-5698941025023253045</id><published>2011-02-08T10:06:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T06:07:27.207-08:00</updated><title type='text'>Dona Francisca</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-AcnAqNs7UJE/TWUUZGwnvqI/AAAAAAAAACs/cchFkHuMBrk/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 188px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-AcnAqNs7UJE/TWUUZGwnvqI/AAAAAAAAACs/cchFkHuMBrk/s320/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576886135112056482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua memória recente é prejudicada pelo Mal de Alzheimer. Mas as reminiscências do passado remoto continuam vivas, frescas como se fossem de ontem. Outro dia, passava de carro com meu pai pela Rua Belém e mostrei a ele o local onde, décadas atrás, ficava a casa de um certo Miguel do Bode. Perguntei se ele se lembrava da personagem. Um velho criador de cabras (ou bodes, daí o apelido). Ele sorriu, feliz por entender o que eu falava e colaborar com minha lembrança. “Claro, ele tinha um filho adotivo, um pretinho, em quem certa vez deu uma surra enorme após culpá-lo pela morte de um animal”. Eu era muito pequeno, mas lembro que a casa do Miguel do Bode era de tijolos aparentes, no meio de um bambuzal que lhe conferia aspecto escuro e assombroso. Foi a deixa. A lembrança do Miguel do Bode, um dos tantos personagens que povoaram minha infância em Santo André, abriu as portas para um desfile de outras figuras que fizeram parte dela e até hoje ocupam espaço em minha memória.&lt;br /&gt;Apareceu na minha mente a estampa de Dona Francisca, uma senhora baixa de pele morena, mulher de um açougueiro cego, entrevado na cama da casa localizada atrás do açougue, que também foi do seu Estanislau. No portãozinho lateral do comércio, que dava acesso à casa, havia um pequeno jardim com um pé de manacá. Era simpática, a Dona Francisca, apesar de sua aparência inspirar um certo medo naquele garoto que eu era em meados dos anos 60. Olhos esbugalhados, a boca meio torta e uma enorme barriga causada por uma hérnia lhe davam um aspecto de bruxa. Some-se a isso que ela mancava de uma perna e usava sempre uma saia preta. Lembro de ter ouvido minha mãe comentar que ela costuma ir a nossa casa logo após o almoço para pegar as sobras de comida. Talvez passassem necessidades, ou mesmo fome, ela e o marido cego.&lt;br /&gt;Tenho arquivada na memória a cena da tarde em que eu tive de vencer o medo e entrar no quarto onde o velho ficava deitado, cego e inválido. Fui lá para dar um recado, ou levar alguma coisa a pedido de minha mãe e Dona Francisca insistiu para eu visitar o marido. A cegueira do velho açougueiro me metia medo. A pele macilenta, a barba branca por fazer, a cegueira ávida, o crucifixo sobre o leito. Dona Francisca o fez tocar meu rosto novo, para meu horror. O cheiro de morte e de urina me acompanhou quando, aterrorizado, passei de novo pelo corredorzinho com o pé de manacá até, aliviado, me ver novamente na rua. O sol já se punha e eu nunca mais o veria. Nem ele tocaria meu rosto.&lt;br /&gt;O açougueiro e Dona Francisca morreriam logo. E a casa seria ocupada pela Chiquinha, filha deles, que ganhava a vida lendo cartas. Fui lá uma vez com a Maria Gorete, uma amiga do colégio, para quem a Chiquinha previu um futuro pecador ao lado de um homem  casado.&lt;br /&gt;Outro dia falei com minha mãe sobre a dona Francisca. Perguntei uma coisa e outra sobre ela, para escrever este texto. “Por que lembrar dela agora?”, estranhou. “Não sei”, respondi. Mas eu sabia, sim. O corredor com o pé de manacá, o açougueiro cego na cama, a figura de bruxa. Cenas de terror que aquele menino jamais esqueceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-5698941025023253045?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/5698941025023253045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=5698941025023253045' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/5698941025023253045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/5698941025023253045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2011/02/dona-francisca.html' title='Dona Francisca'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-AcnAqNs7UJE/TWUUZGwnvqI/AAAAAAAAACs/cchFkHuMBrk/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-8964489425260335737</id><published>2011-01-06T16:06:00.000-08:00</published><updated>2011-01-06T16:08:01.784-08:00</updated><title type='text'>Homicídio doloso</title><content type='html'>Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com intenção de matar, como fazem questão de explicar os apresentadores de telejornal. Minha ira era tanta que peguei a tesourinha de ponta, aquela usada para cortar as unhas, e enfiei sem dó, várias vezes, e depois puxei rasgando o tecido ordinário. Várias vezes, com uma força além da necessária para fazer o estrago pretendido. Deixei-a estirada no chão do quarto e fui tomar um café. Só depois voltei para me livrar dos restos. Vilipêndio a cadáver, como define o Código Penal a ação de tripudiar sobre o “de cujus”. Pisei como quem apaga uma bituca de cigarro na sarjeta.&lt;br /&gt;Embrulhei os farrapos em jornal velho, como convém, e depois em saco plástico, desses de supermercado. O destino: a lata de lixo. Por enquanto ninguém deu pela falta, ou, se deu, não perguntou.&lt;br /&gt;Eu odiava aquela calça verde limão, barata, comprada na Marisa. De malha rala, moldando o corpo: gostosa, mas sem classe. Cintura baixa, meio transparente, exibindo a calcinha. Calça de favelada, de sambista de escola do segundo grupo. &lt;br /&gt;Humilhou-me vestida com esta calça. Ordinárias. Xingou, me mandou embora, tenho ainda as marcas das suas unhas no meu braço. Mas ela teve o fim que mereceu.&lt;br /&gt;Mal a vi estendida na poltrona do quarto, fiz o que tinha de ser feito.&lt;br /&gt;Ela nunca mais vai usar esta calça, que foi devidamente trucidada com a tesourinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janeiro de 2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-8964489425260335737?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/8964489425260335737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=8964489425260335737' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/8964489425260335737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/8964489425260335737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2011/01/homicidio-doloso.html' title='Homicídio doloso'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-5141149816573091145</id><published>2011-01-06T16:03:00.000-08:00</published><updated>2011-01-06T16:06:14.998-08:00</updated><title type='text'>Cristal</title><content type='html'>Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me aqui para escrever sobre uma lágrima. Tentei dar esta palavra como título do texto, mas o Word me avisou que já havia um outro arquivado com este nome. Escolhi, então, Cristal, pois foi como aquela lágrima me pareceu, uma gota de cristal escorrendo pelas paredes velhíssimas de uma caverna.&lt;br /&gt;Não sei o que originou aquele cristal. Sei, contudo, de onde veio. Das profundezas da alma de um homem que vive seu fim antecipado. Condenou-se à morte em vida. Antecipou-se o sepultamento, sem que o coveiro tivesse sido convocado a fazer o seu trabalho. Como um zumbi insepulto, vaga da sala para o quintal, dali para o quarto dos fundos, onde imagina poder transformar a cama em sepultura. Briga com o calendário da vida.&lt;br /&gt;No primeiro dia do ano em que, se Deus quiser, completará 90 anos, o pai aguardava o almoço de família sentado ao sol, com uma blusa de lã sobre a camisa e as calças arregaçadas, para que os raios da estrela aquecessem suas pernas muito brancas. “Feliz Ano Novo, pai”, disse o caçula. “Para você também, filho, espero que tudo corra bem com você”, disse o velho, erguendo os olhos claros para olhar o filho.&lt;br /&gt;O quintal abandonado, o gramado maltratado, o barracão das ferramentas em estado lastimável eram os sinais exteriores do ânimo daquele homem que, durante a vida toda, não podia deixar nada por fazer, nenhum conserto para o dia seguinte, mesmo que lhe faltassem habilidade ou perícia para o serviço. Martelo e lata de pregos na mão, lá ia ele consertar a tramela do portão, a tábua solta do galinheiro, a tela do viveiro do passarinho.&lt;br /&gt;Na cozinha a mãe, também octogenária, mais lúcida do que nunca, acabara de cozinhar a massa que ela mesma fizera, macia como nenhuma outra. Um presente artesanal para o filho querido. O amor, ah, o amor, quanto ressentimento ele provoca...&lt;br /&gt;A travessa fumegante com a massa chega à mesa e a família toma seus lugares. O pai, cansado, diz que preferia ir se deitar. “Coma um pouco, pelo menos”, diz a filha mais velha. O filho brinca com o pai, aproximando a faca de mesa do braço do velho, que finge distração e se encosta na lâmina. Brincadeira que há décadas se mantém viva entre pai e filho, os dois de poucas palavras.&lt;br /&gt;Feliz Ano Novo para todos, diz alguém. O velho ergue o copo de guaraná e uma lágrima lhe escorre pelo rosto enrugado e logo para. Qual lembrança o terá feito verter essa pequena gota de emoção? Felicidade pelo momento com a mulher com quem vive há mais de 60 anos e dois dos quatro filhos que geraram? Tristeza pela antevisão de que seus momentos em família estão se acabando? Melancolia pelo filho que se foi prematura e desavisadamente, e pela caçula, distante centenas de quilômetros? Ou apenas uma gota de cristal, uma pequena joia, com que presenteava seus queridos e lhes desejava um Feliz Ano Novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 de janeiro de 2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-5141149816573091145?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/5141149816573091145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=5141149816573091145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/5141149816573091145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/5141149816573091145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2011/01/cristal.html' title='Cristal'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-8208677500484676566</id><published>2010-07-22T13:15:00.000-07:00</published><updated>2011-02-23T06:26:00.389-08:00</updated><title type='text'>Cinema Paradiso</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1sZngNFRWOc/TWUY8qZQMBI/AAAAAAAAAC8/tDjGjmzA82I/s1600/tamio.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 194px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-1sZngNFRWOc/TWUY8qZQMBI/AAAAAAAAAC8/tDjGjmzA82I/s320/tamio.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576891144019652626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O índio tamoio esculpido em pedra que enfeitava a fachada do cinema, e lhe emprestava o nome, há muito fora retirado, como ação preventiva a qualquer tentativa preservacionista. Há cerca de um mês, disfarçada por tapumes e iniciada provavelmente na calada da noite, aconteceu a demolição.&lt;br /&gt;Há mais de 20 anos, quando deixou de cumprir o papel para o qual foi construído, o imóvel serviu como loja de jardinagem e, depois, como templo evangélico. Além da escultura na fachada, perdeu a bilheteria, em forma de ilha na entrada do saguão, e os arabescos em gesso que enfeitavam o enorme espaço contíguo à sala de projeção.&lt;br /&gt;Foi ali, no Cine Tamoyo, que ficava a poucos metros de casa, que iniciei, digamos assim, minha vida mundana. Na telona do Tamoyo assisti ao meu primeiro 007, aos western spaghetti de Giuliano Gemma, Bud Spencer e Terence Hill que, não sei porque, não cabiam na tela e cortavam parte dos rostos dos atores. Foi no Tamoyo, também,  que conheci o histrionismo caipira de Mazaroppi e o melodrama Dio, Come Ti Amo, estrelado pela italianinha Gigliola Cinquetti. Naquele tempo, os meninos não iam ao cinema para ver, exatamente, filmes infantis. Valia qualquer coisa e, assim, éramos introduzidos no universo adulto e “pescávamos” aqui e ali os temas que viriam a povoar nossa imaginação nas noites seguintes.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes das incursões por minha própria conta e risco, ia ao Tamoyo na companhia do meu pai, nas matinês de domingo. Ele usava o expediente de conhecer o projecionista para ter sua entrada, e a minha, lógico, franqueadas.  E lá íamos nós, sem pagar ingresso, rumo à escadaria que dava acesso à sala de projeção, falar qualquer coisa ao Miro, afilhado de casamento de meu pai, um negro elegante aprumado em um terno com gravata de nó italiano. Alguns minutos depois, já estávamos, eu e meu pai, aboletados nas poltronas vermelhas da plateia.&lt;br /&gt;Na saída, pipoca quentinha, às vezes alguma bugiganga comprada num pano verde esticado no passeio em frente ao cinema. Na volta para casa, o caminho pelo Jardim do Tamoio, o impecável parque em frente ao cine, que contava até com chafariz iluminado e serviço de som ambiente. Um requinte impensado para os dias de hoje, porque certamente roubariam as lâmpadas e as caixas de som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passar outro dia pelo local onde funcionou o Cine Tamoyo, essas lembranças afloraram como uma colagem em minha mente. Vi-me menino, com meu pai ainda jovem, metido, ele também, em um terno, traje obrigatório para os homens irem ao cinema. Senti o cheiro da pipoca quente e do querosene que iluminava o lampião do carrinho onde ela era vendida.  Senti também o perfume do Óleo Dirce, que ele passava no cabelo para mantê-lo umedecido e colado à cabeça. &lt;br /&gt;A demolição do cinema me causou tristeza. Mas me fez sorrir com essas lembranças&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-8208677500484676566?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/8208677500484676566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=8208677500484676566' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/8208677500484676566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/8208677500484676566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2010/07/cinema-paradiso.html' title='Cinema Paradiso'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-1sZngNFRWOc/TWUY8qZQMBI/AAAAAAAAAC8/tDjGjmzA82I/s72-c/tamio.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-4899833473128766715</id><published>2010-03-25T09:58:00.001-07:00</published><updated>2010-03-25T12:40:00.137-07:00</updated><title type='text'>Fiapo de luz</title><content type='html'>Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O tempo cicatriza todas as feridas, principalmente as da alma”. Nesses 15 anos, cansei de ouvir frases como esta, de amigos que me amavam de verdade, da minha mãe, dos meus irmãos. Eu até consegui levar uma vida normal. Não abandonei o trabalho, pelo contrário, mergulhei nele. Fiz admiradores entre meus alunos, participava de movimentos pela sustentabilidade do planeta. Recebia mensagens simpáticas de pessoas por quem, por mais que quisesse, não conseguia me interessar de verdade.&lt;br /&gt;Preservei os cabelos compridos, um tanto fora de época e de corte. Nunca me interessei por roupas e sapatos da moda. Vestia-me apenas pela convenção de não andar nu e para me proteger do frio e do calor. Tipo homem das cavernas. Entende?&lt;br /&gt;No decorrer deste tempo, meu pai, que já tinha feito, sem querer, um grande mal à minha mãe, abandonando-a, desapareceu de vez. Ela se fechou cada vez mais e mesmo assim gostava de me consolar com a frase acima. Meus irmãos se casaram e deixaram o sobradinho rosa no Cambuci. Eles ligavam sempre, perguntavam por mim e até criam que eu superara e conseguia levar a vida.&lt;br /&gt;Como eu não tinha carro, costumava andar à noite pelas ruas do Centro, da Aclimação e da Liberdade. Às vezes ia até a PUC. Mas eu não procurava nada. Não ia atrás de companhia. Apenas vagava por lugares que me traziam um fiapo de luz. Agora, acho até que eu provocava a curiosidade das pessoas, com meu cabelo anacrônico, minha jaqueta jeans, meu tênis All Star, a perambular pelas ruas, sem me deter com nada, mas sem pressa.&lt;br /&gt;Gostava também de ir ao cinema e, mesmo que recebesse convite de alguém da ONG ou da escola, preferia ir sozinho. É claro que, algumas vezes, fui acompanhado. Mas o calor de alguém interessado por mim chegava a me incomodar. Eu estava só, mas era fiel às minhas lembranças.&lt;br /&gt;Há alguns dias, achei a arma que meu pai esquecera em casa quando nos deixou. Estava no maleiro do armário, embrulhada num pano velho. Como é que eu nunca mais a tinha visto?&lt;br /&gt;Ontem, após voltar do meu passeio, me sentia diferente das outras vezes. Não achei na rua qualquer fio de luz que me indicasse que eu deveria prosseguir. Parecia que minha volta dera num beco sem saída. Voltar? Para onde?  Meus passeios sem rumo me levaram à conclusão, tardia, que minha vida era um beco sem saída.&lt;br /&gt;Passei a chave no quarto de minha mãe, que dormia profundamente por causa de um providencial calmante. Liguei o som, baixinho, para que o Adágio de Albinone me encorajasse e peguei a arma do meu pai. Não me lembro mais de nada.&lt;br /&gt;A última imagem que guardo na memória era a tal rua sem saída em que meu último passeio errante me levou. Mas eu já não estava lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janeiro de 2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-4899833473128766715?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/4899833473128766715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=4899833473128766715' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/4899833473128766715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/4899833473128766715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2010/03/fiapo-de-luz.html' title='Fiapo de luz'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-1171133771792595750</id><published>2009-09-29T08:06:00.000-07:00</published><updated>2009-09-29T08:20:18.508-07:00</updated><title type='text'>Cantei, cantei</title><content type='html'>É segunda-feira e o bar está lotado. Fãs e curiosos se misturam nas mesinhas de madeira. O pequeno palco em um dos cantos do salão já está preparado. Os instrumentos dos músicos, uma cadeira com braços, dessas de escritório, um pedestal para as letras das músicas, uma mesinha com toalha branca com um arranjo de flores da mesma cor e um copo com água, protegido por uma renda. No horário prometido, ele solta a voz, antes de pisar no salão. Canta New York, New York. Cercado por seguranças, ele caminha com dificuldades para o palco, senta-se na cadeira e cumprimenta o público. Na mão, um lencinho branco seca o suor da testa, apesar do ar-condicionado. Nas mãos finas e muito brancas, um enorme anel de pedras vermelhas, desses de mulher. A roupa tem algum brilho e a gravata é dourada. A cabeleira encaracolada certamente é postiça. O pancake o faz mais branco e esconde as rugas naturais de quem tem 78 anos. 55 de carreira.&lt;br /&gt;“Cauby luta contra a velhice como alguém que luta contra uma doença”, diz um comentário em um blog sobre o desenrolar da carreira do artista. Quase octogenário, ele lota o bar todas as segundas, é reportagem de capa do mais importante jornal do país, está gravando um disco com músicas de Roberto Carlos e, para quem ouve falar dele por essas notícias, não imagina o que vislumbra quando o vê cantar, ali, ao vivo. O corpo e a mente vivem um ocaso evidente. A voz, não. Ela continua tão límpida e firme quanto no auge da carreira, que o consagrou como um dos mais importantes cantores populares do Brasil.&lt;br /&gt;“Chorei, chorei, até ficar com dó de mim”.&lt;br /&gt;A decadência do homem, não a do artista, é perceptível na necessidade de ler as letras das músicas, no esquecimento de versos inteiros quando não lidos e na necessidade de se amparar em uma cadeira durante a apresentação.&lt;br /&gt;“Cantei, cantei, como é cruel cantar assim”.&lt;br /&gt;A voz mostra que está intacta em francês, inglês, espanhol e português. O artista se emociona com Lygia e emociona a todos com Conceição, a história da moça que, se subiu, ninguém sabe, ninguém viu...&lt;br /&gt;Lança beijinhos para o público, passa o lencinho pelo rosto, reconhece e agradece à presença na plateia de uma colega cantora octonegária, e a homenageia com os versos de Lampião de Gás, seu maior sucesso.&lt;br /&gt;“Cantei, cantei, nem sei como eu cantava assim”.&lt;br /&gt;Pergunto-me o que moveria um artista de 78 anos, doente, com dificuldades para andar e memorizar as letras das músicas, seu dever de ofício, a subir ao palco todas as segundas e se arriscar a ofuscar seu incontestável brilho do passado.&lt;br /&gt;“E num instante de ilusão, te vi pelo salão, a caçoar de mim”.&lt;br /&gt;A voz, é a resposta. Ela insiste em sair daquela garganta, firme e bela como sempre foi.&lt;br /&gt;Ao fim dos versos de Bastidores, presente de Chico para ele, os seguranças já estão ao pé do palco. Ele agradece os aplausos e sai, em direção à mesma porta por onde entrou.&lt;br /&gt;“Cantei, cantei, jamais cantei tão lindo assim”.&lt;br /&gt;Até a próxima segunda-feira, pontualmente às 10 e meia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-1171133771792595750?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/1171133771792595750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=1171133771792595750' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/1171133771792595750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/1171133771792595750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2009/09/cantei-cantei.html' title='Cantei, cantei'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-5391995237993479508</id><published>2009-05-21T15:14:00.000-07:00</published><updated>2009-05-25T12:10:14.010-07:00</updated><title type='text'>Migalhas</title><content type='html'>Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho baixou os olhos e começou a juntar com a faca as migalhas de pão sobre a toalha. Não conseguia encarar o filho ou a mulher. Por trás dos óculos bifocais, os olhos claros se encheram d'água.&lt;br /&gt;A língua afiada e a falta de compaixão da mulher, com quem se casara há mais de 60 anos, o deixaram mudo e na lona. "Ele não é capaz de cuidar nem dele", disse ela a uma pergunta do filho se o pai não poderia cuidar um pouco do neto. O velho ainda tentou argumentar que podia, sim, cuidar do menino, que se dedicaria somente a essa tarefa etc. Não adiantou.&lt;br /&gt;Durante toda a vida, o velho proveu a família com o trabalho suado em uma loja de móveis. Nas folgas, montava e desmontava guarda-roupas para famílias em mudanças, de olho na renda extra que lhe permitiria dar um mimo à família. Em dezembro, quando a loja ficava aberta até mais tarde, ele saía de casa de madrugada e só voltava perto da meia-noite, para garantir aos filhos e à mulher as castanhas, o panetone e o pernil da ceia. Chegava em casa cansado, com cheiro de trabalho, e depositava a marmita vazia sobre a mesa. Às vezes trazia um brinquedinho ou uma revista para o mais novo.&lt;br /&gt;Nunca pensou em si. À sua moda, dedicou-se ao lar e à família como um trator passa por cima dos problemas e dificuldades, aplainando o terreno. Plantou a semente dos frutos que os filhos iriam comer.&lt;br /&gt;Agora, passado dos 80 anos, com sintomas do Alzheimer, o velho já não demonstrava a mesma força e diposição de poucos anos atrás. A memória falhava e o desinteresse pela vida já se manifestava, deixando-o com o olhar perdido, a conversa rara, o sorriso difícil.&lt;br /&gt;Naquela tarde, a crueza das palavras da mulher caiu fundo. Talvez ela mesma inconformada com o ocaso do outrora forte companheiro, as palavras saíram duras demais, talvez uma tentativa de animá-lo, chamá-lo ao orgulho. Ou apenas inconformada pelo abandono que se anunciava.&lt;br /&gt;O filho, numa das raras vezes em que se levantou contra a mãe, saiu em defesa do velho. A humilhação, estampada no rosto do pai, o tirara da letargia. Esbravejou contra a mãe, ameaçou não voltar mais lá, de não aparecer mais com o neto.&lt;br /&gt;O pai, indiferente, nada falou. Levantou-se da mesa, foi para o quintal e tratou de abrir o portão para o filho sair.&lt;br /&gt;Na cozinha, a mãe chorava contra o que achava ser uma injustiça. No quintal, o Alzheimer ajudava o pai a esquecer a humilhação. No caminho de volta para casa, o filho apenas conseguia enxergar as migalhas do pão na toalha xadrez sobre a mesa, agora vazia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-5391995237993479508?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/5391995237993479508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=5391995237993479508' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/5391995237993479508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/5391995237993479508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2009/05/migalhas.html' title='Migalhas'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-5628799380246862235</id><published>2008-11-06T11:06:00.001-08:00</published><updated>2008-11-08T07:02:05.720-08:00</updated><title type='text'>Coleção de vidrinhos</title><content type='html'>Por Ademir Pernias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos anos, ganhei de uma namorada a transcrição de um poema de Carlos Drummond de Andrade, Coleção de Cacos, que guardo até hoje. O texto foi escrito em letra redonda e professoral, em um papel de cartas com desenhos infantis, daqueles que as meninas costumavam, elas também, colecionar na década de 80. O poema transcende o tema real e fala daquelas coisas, lembranças e sentimentos, que mantemos guardados na memória e que formam, afinal, nossa história de vida.&lt;br /&gt;Vou deixar os cacos abstratos de lado e falar aqui sobre as coleções reais, de coisas concretas. Aos dois anos de idade, isso mesmo, comecei minha primeira coleção. Juntava vidrinhos, desses de remédios manipulados, mercúrio cromo, até de perfumes baratos, que enfeitavam as prateleiras dos salões de barbeiros e guardavam restos de colônias coloridas. Lembro que todo mundo da vizinhança era mobilizado pela minha mãe e pela minha avó para arrumar novos itens para minha coleção. É claro que, aos dois ou três anos de idade, eu não tinha desenvolvido ainda um método de colecionador, ou mesmo um local apropriado para guardar meus pequenos frascos. Andava para cima e para baixo com meu tesouro em uma caixa de sapatos. Mas me lembro de fatos relacionados ao meu precoce hábito, como a maneira que eu costumava alinhar os elementos do meu conjunto em uma mureta que havia no quintal, sempre por ordem de tamanho. Ou de aguardar ansioso o final do dia, quando uma vizinha que trabalhava como enfermeira chamava por minha avó no portão: “Dona Amélia, trouxe uns vidrinhos para o menino”. Ou ainda de quando minha mãe me levava para cortar o cabelo, corte americano, e o barbeiro italiano dizia: “Não mexa a cabeça que o titio te dá um vidrinho”. Peças repetidas não serviam. “Esse ele já tem”, dizia minha avó à solícita vizinha.&lt;br /&gt;Guardei minha coleção por um bom tempo até que, determinado dia, minha avó já tinha morrido, fui convencido pela minha irmã de que aquilo era um estorvo. Como quem, assim de uma hora para a outra, resolve atirar fora todo seu tesouro acumulado, porque alguém lhe disse que ele não valia nada. Até hoje me pergunto por que fiz aquilo.&lt;br /&gt;Depois dos vidrinhos viriam selos, moedas, canetas, relógios... Nada diferente do que a maioria dos meninos costuma colecionar. Todas essas coleções foram deixadas de lado sem muita cerimônia e sem que tivessem resultado em um acervo respeitável. Desinteresse puro e simples.&lt;br /&gt;Já adulto, me interessei por xícaras. Comprava uma aqui, outra ali, normalmente usadas, mas as novas, se tivessem um formato diferente, ou uma decoração inusual, também serviam. A primeira peça foi uma xícara de porcelana japonesa, do tipo casca de ovo, de tão fina. Foi-me dada pela minha madrinha, e pertencera a um jogo que ela ganhara como presente de casamento. Uma cristaleira marchetada guarda hoje dezenas de xícaras, garimpadas em feiras de antiguidades e mercados de pulgas. Como se fossem selos, a maioria traz gravada seu país de origem. Coleção, mesmo, que mereça este nome, só essa.&lt;br /&gt;Mas, de uns tempos para cá, me dei conta que havia ampliado o conceito de coleção. Ou pelo menos tornado seus requisitos mais elásticos. Penso que o que me move a buscar esse ou aquele objeto seja um misto de organização e resgate. Algo como retirar do limbo ou do ferro-velho um objeto que, no passado, fez parte do dia-a-dia de alguém, de uma fábrica, de um escritório, de uma residência. Um bricabraque.&lt;br /&gt;Minha mente escravizadora já me levou em busca de coisas como um relógio Cuco, um separador de moedas, uma máquina registradora, uma calculadora mecânica idêntica à que meu cunhado tinha em seu armazém de secos &amp;amp; molhados. Hoje estou à cata de um taxímetro, daqueles Capelinha, e de uma caixa que os antigos armarinhos usavam para guardar retroses e carretéis das linhas Corrente. Porque quero ter isso em casa, em minha estande projetada para guardar esse tipo de coisa? Não sei. Uma dica é que esses objetos, de alguma maneira, tiveram alguma importância em minha infância, a ponto de eu julgar necessário preservá-los em minha casa, além de em minha memória.&lt;br /&gt;Move-me também um sentimento difuso de “organização”, cada vez que recupero um objeto desses do esquecimento ou mesmo da destruição. Gosto de limpá-los, lubrificá-los, restaurá-los e, de preferência, mantê-los em funcionamento.&lt;br /&gt;Assim que achar o taxímetro e a caixa de linhas, provavelmente já estarei em busca de novas peças, que nem imagino quais serão. Meu subconsciente talvez tenha uma explicação. Pode ser que, juntando essas coisas aparentemente sem relação alguma entre si, eu esteja juntando os meus cacos. E talvez descubra quem sou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-5628799380246862235?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/5628799380246862235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=5628799380246862235' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/5628799380246862235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/5628799380246862235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/11/coleo-de-vidrinhos.html' title='Coleção de vidrinhos'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-1443979777648044069</id><published>2008-11-05T06:27:00.000-08:00</published><updated>2008-11-05T06:28:03.112-08:00</updated><title type='text'>Domingo no parque</title><content type='html'>Por Darlene Paiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparei-me de véspera. Como quem combina um piquenique, chamei meus companheiros para o estranho convescote. Tal qual um menino no dia anterior ao passeio, tive uma noite agitada. Não sabia o que me aguardava. Fora lá recentemente, mas as circunstâncias eram outras. Agora não. Voltava lá como quem retrocede 40 anos no tempo. O sol brilhava, o lugar estava cheio. E eu tomara minhas precauções. Chamei meus pais, que nem desconfiaram do convite. Levei Joãozinho, de 5 anos, que nunca tinha pisado lá antes. Sentia-me ao mesmo tempo protetor e protegido.&lt;br /&gt;Lembrei-me de outros Finados. A ida ao cemitério era quase uma festa. Encontro com os primos, brincadeiras entre os túmulos, os rituais de acender velas, arrumar flores. Os adultos sempre deixavam escapar algum comentário revelador sobre alguém que ali já morava. Depois da visita, café com pastéis na casa da Tia Gina. E o dia acabava fazendo do luto uma festa.&lt;br /&gt;Deixei de cumprir este ritual ainda na adolescência. As visitas foram rareando, depois cessaram. Pisar lá, só pela obrigação da solidariedade. Mas as duas idas anteriores me mostraram que eu não devia tê-los abandonado. Que não devia deixar de visitá-los. Sentiam saudades. E eu deles.&lt;br /&gt;Parei o carro quase em frente à casa fechada da tia. Ela se mudara em julho para sua última morada. Em seu primeiro Finados, ganhou uma placa de porcelana, com uma bela foto, o nome completo, com um “h” que eu desconhecia, e as datas em que chegou a este mundo e a em que partiu.&lt;br /&gt;Escudado pelos velhos e pelo garoto, entrei pelo portão dos fundos. Mal sabiam eles que o convite aos três era para que eu me sentisse resguardado. À direita, a ala vertical, construída para atender à demanda crescente diante da escassez de terrenos vagos para novos túmulos convencionais. Rente ao muro, as gavetas reservadas aos “anjinhos”.&lt;br /&gt;O menino via tudo com uma curiosidade aguçada. O único cemitério que ele conhecia era do tipo jardim, com um enorme gramado, cheio de árvores. Olhava tudo com interesse visível. Eu não economizava explicações. Mostrava sepulturas maltratadas, com o mato grande, outras recém-pintadas. O clima de festa era reforçado pela multidão que lotava as alamedas, limpava as sepulturas, acendia velas, arrumava vasos de flores.&lt;br /&gt;Mostrei a ele o túmulo de meus mortos. Expliquei que ali jaziam os corpos, mas que as almas já tinham ido embora. Mostrei a foto da minha madrinha, tocando a imagem mal impressa. Acendemos umas velas, a despeito do vento.&lt;br /&gt;Tudo estava calmo. Parecia uma prisão em dia de visita. Quando um pacto não escrito garante que as visitas não serão molestadas. Finjo naturalidade. Uma visita ao túmulo dos parentes no Dia de Finados. Joãozinho logo pergunta se ainda vamos demorar. Quer brincar num parque de verdade, jogar bola, videogame.&lt;br /&gt;Sinto que, ao voltar lá, consigo me desprender. Quanto mais vezes retorno, menos fico preso. Já não tenho medo. Levei meu filho e meus pais para não ter desculpas para ficar.&lt;br /&gt;Despeço-me mentalmente e parece que os vejo sentados à mesa de domingo, com uma cadeira a mais para a Tia Gina. Todos sorriem, tranqüilos. Chego a sentir o cheiro do café e dos pastéis. Qualquer domingo voltamos para mais uma visita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-1443979777648044069?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/1443979777648044069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=1443979777648044069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/1443979777648044069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/1443979777648044069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/11/domingo-no-parque.html' title='Domingo no parque'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-3376460709089134175</id><published>2008-10-03T08:01:00.000-07:00</published><updated>2008-11-08T07:00:35.871-08:00</updated><title type='text'>Visita à casa dos mortos</title><content type='html'>Por Darlene Paiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passar pelo umbral de ferro, parecia que entrava em outra dimensão.Uma névoa fina e fria, trazida pelo vento, cobria as sepulturas e me provocava um frio na espinha. Caminhei na direção da capela, por ser ela a referência do túmulo que eu buscava. Antes de encontrá-lo, tive a sensação de que voltava ao parque onde brincava quando criança. Olhei em volta, tentando achar pontos de referência de 40 anos atrás.&lt;br /&gt;Voltei ao mausoléu revestido de azulejos pretos, com um Cristo crucificado do lado de fora, alvo dos crentes nos dias de Finados, quando o cemitério era quase uma festa. Pela primeira vez na vida, olhei pela janela envidraçada, prestei atenção no sobrenome italiano das placas e nas fotos. Lembrei-me do conto de Lygia Fagundes Telles “Venha Ver o Pôr-do-Sol”, em que um amante preterido, a pretexto de mostrar à amada um crepúsculo inesquecível, a leva para um cemitério abandonado e a enclausura em uma tumba.&lt;br /&gt;Caminhei na direção do túmulo dos meus antepassados. Embora soubesse exatamente onde ela se encontrava, tive dificuldade em localizar a sepultura. Pensei ter ouvido alguém me chamar, olhei para os lados, mas o cemitério estava deserto, exceto por alguns barnabés que cuidavam de uma reforma. A neblina aumentava e tomava conta do lugar.&lt;br /&gt;Depois de alguma procura, achei o que buscava. Pus-me à frente do mausoléu simples e passei a contemplar, uma a uma, as fotos dos meus mortos, com as datas de nascimento e morte. Como uma criança apavorada, que busca a casa da madrinha para se esconder do mundo, ali estava eu, diante deles, para pedir que me ajudassem a enfrentar a vida. Amélia, João, Antonio, Nica, Victorio, Rosa. A avó e os tios-avós, que se mostravam um porto seguro frente às intempéries que ameaçavam aquele menino. Ali estavam todos eles, reunidos novamente como à mesa do almoço de domingo. Dediquei momentos exclusivos a cada um deles, mirei cada foto com atenção. Aos que não tinham retrato, vi a imagem dos rostos nas letras que compunham seus nomes. Amélia, a avó protetora que, tal qual uma galinha-choca, era capaz de proteger os pintinhos sob as asas e defendê-los com bicadas de uma ave de rapina. A tia-madrinha, dona de toda a bondade da face da Terra, além de um velho limoeiro no fundo do quintal e de um poço com a água mais fresca do mundo.Toquei a foto dela, mal impressa em um pedaço de porcelana oval e, com os olhos tomados por lágrimas, expus meu problema. “Por que?”, exigia saber. ”Quem é que me enclausurou aqui, enquanto todos os outros voltavam para casa, com os olhos vermelhos de chorar?”. Tinham-me dado até um quintal para brincar, mas não me deixavam sair.&lt;br /&gt;O céu cada vez mais negro me dizia que era hora de atravessar de volta o portão. Do lado de fora, uma menina recém-saída da adolescência me chamava com os olhos. Precisava de um ombro conhecido para chorar, pela primeira vez na vida, a morte de uma pessoa querida. Em uma das salas do velório estava o corpo da avó, morta enquanto dormia. Seria enterrada dali a pouco. Os ombros fortes que ela queria por perto eram daquele menino que, havia poucos instantes, batera à porta da madrinha para pedir acolhida e respostas.&lt;br /&gt;Cheguei perto dela, abracei-a e senti sua tristeza verdadeira. Ela estava ali com o pai, um estranho para a maior parte das pessoas presentes.Ex-marido de uma das filhas da boa senhora que Deus levara enquanto dormia. Uma morte tranqüila, confundida com os sonhos. Primos, tios e tias, conhecidos dela, mas praticamente desconhecidos para mim, que não os via há quase 20 anos. “Na alegria e na tristeza...”.&lt;br /&gt;Chegada a hora do enterro, o grupo segue o carrinho com o corpo até a sepultura. Seguro firme a mão da menina de braços finos, que acabou de conhecer a dor da perda. Sinto-me observado. No final do enterro, um jovem de quem não me lembro o nome se aproxima de mim, me aperta a mão e agradece a minha presença. O céu negro ameaça desabar. Abraço a menina e vamos para a saída. Ela deixa a avó e leva consigo as lembranças da infância. Muitas perdas ainda terá de enfrentar. Volto para casa aliviado. Fiz bem meu papel de pai. Mal sabe ela o quanto me custou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-3376460709089134175?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/3376460709089134175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=3376460709089134175' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/3376460709089134175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/3376460709089134175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/10/visita-casa-dos-mortos.html' title='Visita à casa dos mortos'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-3744361746659601559</id><published>2008-07-24T11:49:00.000-07:00</published><updated>2008-07-25T08:11:16.291-07:00</updated><title type='text'>Revertere ad locum tuum</title><content type='html'>Por Darlene Paiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia tempo que eu não punha meu pés por lá durante o dia. Os pés concretos. Porque em sonho, no entardecer, eu nunca deixei de ir. Acho que é verdade que, em algum enterro, eu me deixei ficar com o morto. Uma parte de mim foi sepultada ali, junto com algum querido. E minhas tentativas de escapar dão em nada. Os portões de fecham, o sol se põe e eu fico terrificado, com a expectativa de passar outra noite ali, entre os meus mortos. Já me vi tentando pular o muro, inutilmente. No fim, me deixo ficar, até o sol nascer de novo.&lt;br /&gt;Dessa vez, entrei com os olhos altos, os ombros erguidos e o coração tranqüilo. Era sábado e fazia sol. Nem parecia que no velório jazia, exposta, a última tia-avó remanescente da minha infância. Mãe-coragem de sete filhos. Mulher-companheira do mulato João de Almeida.&lt;br /&gt;Os portões de ferro abertos convidavam. Entre, pode vir! Escapei do burburinho dos parentes e, no sábado de sol, fui em busca de mim mesmo enterrado na sepultura humilde. Os passos firmes me levaram à rua velha conhecida. O túmulo reformado exibia as fotos de velhos conhecidos, com duas datas, a do nascimento e a da morte. Conheci-os vivos e mortos. Convivi com eles vivos e mortos. Qual deles terá me convencido a ficar? Ou terá sido outro ainda? Tento descobrir, para tentar sair.&lt;br /&gt;Vejo tudo rapidamente, olho em volta e reconheço a vizinhança.O túmulo com ideogramas japoneses, abandonado, com mato seco no jardim. O mausoléu negro, com o Cristo crucificado, objeto de zombaria dos crentes no Dia de Finados. Quebra-santos!&lt;br /&gt;Uma velha prima vai comigo e me mostra a sepultura de outros parentes, também reformada. No meio das fotos, reconheço dois outros tios-avós, mortos quando eu tinha cinco anos.&lt;br /&gt;Passo pelas alamedas, como que liberado de um longo período de internação. Já posso sair e, estranhamente, não tenho pressa. Dou uma última olhada e passo de novo pelo portão de ferro. Um menino sai comigo. Acho que nunca mais vou voltar lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-3744361746659601559?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/3744361746659601559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=3744361746659601559' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/3744361746659601559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/3744361746659601559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/07/revertere-ad-locum-tum.html' title='Revertere ad locum tuum'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-4588808242945114665</id><published>2008-04-28T13:19:00.000-07:00</published><updated>2008-04-28T13:21:47.666-07:00</updated><title type='text'>Confissão</title><content type='html'>Por Darlene Paiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus braços ainda doem de segurar a menina pelos pulsos, depois de passá-la pela tela de náilon. É do meu chinelo a pegada sobre o lençol e em minha camiseta trago impressa a trama da rede, quando me inclinei para soltá-la em queda livre por 20 metros. Era do meu colo que gotejava o sangue do ferimento que eu fizera em sua testa, com a ponta da chave. Seu vômito deixou marcas na minha camiseta. Foram minhas mãos que pressionaram sua garganta e que, depois, apertaram sua boca para que ela não chorasse ou gritasse. Foi iniciativa minha escolher a janela pela qual ela seria jogada, para que seu corpinho não se desfigurasse tanto ao bater no granito. Daquela janela seu destino seria o gramado. &lt;br /&gt;Fui eu também quem limpou as gotas de sangue do chão com uma fralda, que depois mergulhei na água sanitária, para eliminar as manchas incriminadoras. Depois, liguei para meu pai, avisei o que fizera e desci para conferir o resultado. No caminho, esbocei a história que contaria aos policiais, preparei os detalhes do enredo fantasioso que sustentaria, a despeito das evidências contrárias.&lt;br /&gt;Como consegui fazer isso com minha menininha? Não sei, só sei que fui eu. Quando eu a machuquei com a chave, a ponto de fazer seu sangue jorrar na cadeirinha do irmão e no encosto do banco, era a mim mesmo que eu estava ferindo. O sangue que saía de sua testa era o meu. Quando tapei sua boca com minha mão enorme, a ponto de ferir seus lábios, era a minha voz que eu queria calar. Quando seus olhos castanhos me perguntavam por que eu estava fazendo aquilo com ela, logo eu, que deveria protegê-la de outras mãos agressoras, não resisti. Apertei sua garganta até tirar-lhe o ar. Mas era a mim mesmo que eu estava asfixiando.&lt;br /&gt;E quando resolvi me livrar de seu corpinho inerte, mandá-lo para longe dos meus olhos, era eu que me atirava pela janela.&lt;br /&gt;O que eu fiz não foi com ela, somente. Tirei meu sangue, apertei minha garganta, pulei da janela do sexto andar. Caí no inferno. De lá vejo uma estrelinha no céu. Foi ela que me iluminou para eu assinar esta confissão. O monstro sou eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-4588808242945114665?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/4588808242945114665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=4588808242945114665' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/4588808242945114665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/4588808242945114665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/04/confisso.html' title='Confissão'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-2319557279473586763</id><published>2008-03-30T18:06:00.000-07:00</published><updated>2008-03-30T18:08:57.399-07:00</updated><title type='text'>Cara ou coroa?</title><content type='html'>Por Cláudia Fernandes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem viu pela primeira vez não acreditou, quem viu pela segunda, se acostumou e até perdoou.&lt;br /&gt;A mãe deixava as duas filhas acorrentadas dentro de casa. Catadora de papel, ela sabia que as meninas de 12 e 14 anos eram viciadas em drogas. Atendeu às súplicas das duas e as prendeu com uma corrente ao pé da cama. Nas canelas finas, as marcas do ferro da corrente. As meninas estavam juradas de morte pelos traficantes. Uma vez viciadas, furtavam de tudo para comprar drogas, mas não conseguiam mais saldar as dívidas. Por isso eram procuradas pelos cobradores e pediram para ser presas. Pedido atendido pela mãe.&lt;br /&gt;Um dia, alguém avisou o conselho tutelar, que baixou na casa de um cômodo com a polícia. As meninas estavam deitadas na cama, como ficavam na maior parte do tempo. Largadas. Foi aquele reboliço. A mãe, que trabalhava, apareceu, chorou, explicou a situação ao delegado e foi liberada logo depois. O trabalho seguinte era de convencimento. Levar as meninas para tratamento psicológico e de desintoxicação. Uma exposição cruel das menores na frente das câmeras. As duas pré-adolescentes davam entrevistas a diversos veículos de comunicação, choravam, resistiam para ser levadas para a casa de recuperação, separadas da mãe. Até que, por fim, resolveram tentar a reabilitação.&lt;br /&gt;Um caso semelhante. O rapaz tinha 18 anos e também foi acorrentado pela mãe. Como as duas garotas, ele pediu para a mãe o prender numa tentativa desesperada de se livrar das drogas. Consumia de tudo, maconha, crack, cocaína. A corrente era grande, explicava a mãe orgulhosa do ato. Dava para ele ir ao banheiro e à cozinha para comer alguma coisa. A maior parte do tempo, o rapaz passava deitado na cama, num sacrifício da abstinência da droga que era exigida pelo corpo. Comia pouco. Diz a mãe que era agressivo. No auge da dependência, sem a droga, ele se irritava, jogava no chão o que via pela frente. Foi necessário paciência para que a droga não fizesse mais parte de sua vida. Paciência principalmente da mãe, que num amor incondicional aceitou acorrentá-lo, como se acorrenta um cachorro. Por amor. Hoje ele agradece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Do outro lado&lt;br /&gt;As vizinhas escutavam as meninas arrastando as correntes dentro de casa. Elas às vezes choravam, mas a maior parte do tempo, pareciam dormir. Da janela, era possível ver os corpos largados na cama de solteiro que elas ficavam, presas uma a outra, como gêmeas siamesas. Um dia, uma vizinha não se conteve e numa denúncia anônima, detalhou tudo que sabia à polícia. Queria ver o fim daquele sofrimento. Não era possível prender duas crianças. A mãe era inconseqüente, irresponsável e cruel, pensava. Viu quando o carro da polícia chegou com os conselheiros tutelares. Eles conversaram com as garotas e com a mãe. Assim como ela, estavam chocados com o que viam. A vizinha, da janela, agradecia a Deus por ter libertado duas inocentes. Elas seriam levadas para longe da mãe.&lt;br /&gt;Do outro lado da parede, a moça ouvia os berros do rapaz de 18 anos. Ele estava fora de si e ela tinha medo dos seus atos. Mas sabia que ele não podia escapar e invadir sua casa. Escutava o arrastar das correntes pelo chão. Suava frio quando as panelas eram arremessadas na parede com fúria. Da sua casa, imaginava os passos daquele pobre coitado amarrado pela própria mãe. Tinha pena, queria ajudá-lo e resolveu ligar para a polícia. Pela liberdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-2319557279473586763?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/2319557279473586763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=2319557279473586763' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/2319557279473586763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/2319557279473586763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/03/cara-ou-coroa.html' title='Cara ou coroa?'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-7959506539590326617</id><published>2008-03-28T11:19:00.000-07:00</published><updated>2008-03-28T11:21:03.963-07:00</updated><title type='text'>Compaixão e crueldade</title><content type='html'>Por Darlene Paiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher negra, dessas que não se consegue adivinhar a idade, subia a ladeira íngreme e estreita com um filho no colo. O cansaço quase insuportável estava impresso em seu rosto suado. O bebê ia protegido do sol forte por um pano branco. Cruzei com ela quando voltava do almoço, no carro refrigerado pelo ar-condicionado. Pensei em parar, oferecer carona até o ponto de ônibus ou ao hospital, para onde, imaginei, ele poderia estar levando o filho doente. Perturbada pela cena, segui meu trajeto de volta ao trabalho. A mulher negra com o filho no colo, a quem eu poderia ter aliviado o sofrimento, veio comigo e agora me atormenta.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;No caminho do trabalho para casa, uma favela. Talvez a maior da cidade, os barracos há muito tempo deram lugar a prédios de alvenaria, alguns deles com vários andares desalinhados e com os tijolos à mostra. Neste cenário, o que não falta são crianças sujas e cães sarnentos, em meio a restos de sofás. No entardecer poeirento, uma cadela no cio e com as tetas caídas, que denunciavam a maternidade recente, atraía um bando de machos. A cena era observada pelas crianças sujas e malvadas. A cadela se deixava subjugar e era montada pelos cães de vários tamanhos que a rodeavam, como que a aguardar a vez. Os meninos e meninas jogavam pedras, pedaços de pau e chutavam os animais. Alguns homens bebiam cachaça e se divertiam no bar improvisado à beira da rua.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Já passa das 11 da noite. No ponto de ônibus, o casal aguarda a condução para levá-lo para casa. O homem, metido em um terno alguns números maior, segura com uma das mãos uma bíblia com capa de couro preto. Na outra, aperta a mão de um menino de aparentes 5 anos, cabelo com corte americano e sandália de borracha. A mulher leva ao colo o menorzinho, abatido pelo sono. Chega o ônibus, todos entram e o menino deixa cair um dos pés do chinelo. O motorista arranca e, na sarjeta imunda, a sandália faz companhia a pontas de cigarro e papéis de bala.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone toca e uma voz conhecida pergunta se ainda me lembro dele. O antigo colega de trabalho pede desculpas pelo incômodo e diz que gostaria de falar comigo pessoalmente. Dou o endereço do meu trabalho e marco para dia seguinte. Na hora designada, o homem, vestido com uma camisa azul já gasta e uma calça social, me abraça, relembra amenidades do antigo emprego e dos colegas. A empresa foi à falência e deixou a maioria a ver navios. Ele me conta que, por causa da idade e de problemas de saúde, já não consegue arrumar um emprego. A aposentadoria mal lhe permite o sustento próprio e da mulher, também doente. Ele apresenta seu currículo e se oferece para trabalhos diversos, que vão de organizar arquivos a intermediar compras e acompanhar o andamento dos cronogramas. Explico que as empresas de hoje são mais enxutas do que no passado e que, para sobreviver, muitas delas juntaram funções e extinguiram casos. “Custo pouco e posso ajudar em muitas tarefas”, implora. Prometo tentar ajudar. Me despeço e, ao vê-lo virar as costas, jogo seu currículo no lixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-7959506539590326617?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/7959506539590326617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=7959506539590326617' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/7959506539590326617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/7959506539590326617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/03/compaixo-e-crueldade.html' title='Compaixão e crueldade'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-5914269675420100158</id><published>2008-03-25T07:12:00.001-07:00</published><updated>2008-03-25T07:13:59.204-07:00</updated><title type='text'>Café Quente, Lando Louco e Dona Tonga</title><content type='html'>Por Darlene Paiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, a caminho do trabalho, a ausência do rádio no carro me levou a uma fenda do passado. Desfilaram pela minha mente, oferecidos pela memória, personagens que povoaram minha infância real e que, sabe-se lá por que, afloravam naquele instante. Dei-me conta que a lista de nomes esquisitos não era tão pequena, e incluía desde comerciantes do bairro onde nasci e cresci, em Santo André, como o açougueiro Stanislau, a Cida do bar ou ‘seu’ Hermes do armazém, até figuras intermediárias entre o real e a ficção, como o Lando Louco, que vivia com os nervos esticados, cigarro sem filtro entre os dedos amarelados e uma permanente baba no canto da boca, e o João Bobo, maldoso e politicamente incorreto nome dado pelos moleques da rua a um ser humano de idade inimaginável, portador de deficiência mental, e que expunha seu órgão genital, despudorado e sem malícia, a quem quisesse ver, encostado ao muro de sua casa. É claro que do Lando Louco e do João Bobo fugíamos todos, sem saber ao certo se ofereciam perigo real. Na dúvida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram ainda à tona o Chico de Óculos, o Piteirinha, com seu sapato de couro de crocodilo impecavelmente brilhante, a Maria Gasolina, o ‘seu’ Chiquinho da loja de tecidos, os irmãos Elui, da casa de calçados Alhambra, numa fila interminável de recordações inexplicáveis, que saíam da cabeça como de um sótão onde ficaram guardados por mais de quatro décadas. Se para ali foram enviados é porque foram parte importante da vida daquela criança, no caso eu.&lt;br /&gt;Já no trabalho, ainda embasbacada sobre o motivo de tais aparições, fresquíssimas e algumas até com o cheiro que as caracterizava na vida real, resolvi tocar no assunto com os colegas. Foi como uma senha. Apareceram o Café Quente, mendigo cuja alcunha veio do hábito de pedir às donas-de-casa do bairro Barcelona, em São Caetano, que servissem uma dose da bebida em sua surrada e encardida caneca de ágata. E o Brás, velho catador de papelão que, de tanto levar peso às costas, ficara com a coluna curvada, a ponto de meter medo nas crianças e ser útil aos adultos quando queriam amedrontar os filhos: “Vou te entregar ao Brás, heim?”. De outra esquina de São Caetano, entre a Monte Alegre e a Rio Grande do Sul, surgiu o Tim Maia, que vivia cantarolando músicas que só ele sabia quais eram e que, indagado se estava feliz, respondia que sim, porque era o seu aniversário. Deste a criançada não tinha medo, exceto de sua enorme unha do pé, metida em uma meia furada em chinelos de borracha. De uma rua de comércio em Santana, em São Paulo, apareceu Dona Tonga, chinesa redonda e afável, na descrição de um amigo, em cuja mercearia se vendia de tudo, como informava um aviso escrito com giz em uma pequena lousa escolar: “Temu tuta tipo bebida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão está em descobrir como tais figuras, meros coadjuvantes da vida dessas crianças, entre as quais me incluo, tiveram força para permanecer intactas e vivas em suas memórias. Mistérios insondáveis da mente humana ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-5914269675420100158?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/5914269675420100158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=5914269675420100158' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/5914269675420100158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/5914269675420100158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/03/caf-quente-lando-louco-e-dona-tonga.html' title='Café Quente, Lando Louco e Dona Tonga'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-891267186779502799</id><published>2008-03-25T07:00:00.001-07:00</published><updated>2008-03-25T07:00:57.999-07:00</updated><title type='text'>Casa vazia</title><content type='html'>Por Darlene Paiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro foi a mãe. Um mês depois, o pai. E lá estava Laura, que já tinha perdido a filha adolescente de forma trágica há oito anos, novamente às voltas com as coisas práticas que a morte impõe. Revirar gavetas, desfazer a cama, reencontrar fotos antigas, doar objetos. Desmontar a casa e sepultar lembranças. Um inquilino em breve ocuparia o confortável sobrado de três quartos e era necessário se livrar de tudo. Meu encontro com ela, na casa que fora dos pais, se deu por conta da verdadeira obsessão que tenho por objetos antigos. Uma rádio-vitrola valvulada, guardada no quartinho de despejo do sobrado, passaria a me pertencer, após intermediação de minha irmã.&lt;br /&gt;A sala ampla já não tinha sofás, levados para a casa de campo do irmão. Sobre a pia da cozinha, ao lado do grande fogão vermelho, ainda estavam louças e panelas, surpreendidas pela súbita ausência dos moradores. Na bancada de trabalho do pai, ferramentas recém-utilizadas ainda esperavam voltar à caixa.&lt;br /&gt;No andar de cima, os cômodos mal iluminados por lâmpadas 220 Volts revelavam a intimidade do casal, que a morte, enfim, separou e voltou a unir. Nas camas, ainda cobertas por colchas, pilhas de roupas, prontas a ser levadas a um abrigo de idosos. Sobre a penteadeira, um presente de Natal aberto, que não chegou a ter utilidade.&lt;br /&gt;Laura procurava demonstrar frieza diante do quadro. A mulher de olhos e cabelos claros, filha de imigrante lituano, oferecia objetos que foram dos pais, em sinal de desapego. Ela levaria apenas um freezer e uma estante. O restante seria doado, caso o irmão não se interessasse por nada.&lt;br /&gt;“Eles se davam bem?” arrisquei perguntar. “Como todo casal, às vezes queriam se matar mas estavam sempre unidos”. Nos últimos anos, dormiam em quartos separados, por uma questão de conforto. Laura então contou que a mãe, cega, dependia do pai para tudo. “Parece que entre eles existia um pacto, de que ele só morreria depois dela”, conta.&lt;br /&gt;Um tremor passou pelo meu corpo. Meus pais já passam dos 80 anos e, como a morte é inexorável, sei que em breve terei de enfrentar a perda deles. Nesta visita, pela primeira vez na vida, o medo de perdê-los me pareceu menor. A força de Laura diante do inevitável lembrou-me que, ao contrário da frase “o melhor da festa é esperar por ela”, no caso da morte, que não marca hora, o melhor é aproveitar os momentos de convivência. Nesta mesma noite, visitei meus pais e passei alguns minutos olhando para os rostos deles. Nesta noite, pela primeira vez na vida, consegui enxergar a morte não com o pavor da perda, mas com a felicidade de lembrar dos momentos passados juntos. Obrigada, Laura, pela lição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-891267186779502799?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/891267186779502799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=891267186779502799' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/891267186779502799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/891267186779502799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/03/casa-vazia.html' title='Casa vazia'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-3551436650776737191</id><published>2008-03-24T12:33:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T00:36:39.641-08:00</updated><title type='text'>Memória olfativa</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-gD_-MH9-I/AAAAAAAAAA8/LJ0l_ZEZHdo/s1600-h/memoria_olfativa.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181395768850249698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-gD_-MH9-I/AAAAAAAAAA8/LJ0l_ZEZHdo/s320/memoria_olfativa.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Por Cláudia Fernandes&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, ao retirar o invólucro plástico de um Atlas comprado em banca de jornal, senti o cheiro bom de livro novo, recém-impresso e nunca antes manuseado. Veio-me à memória o tempo em que meu pai me trazia do trabalho, toda semana, os fascículos de “Conhecer” que eu folheava com cuidado para não amassar as folhas ricamente ilustradas. Colecionava os fascículos que depois ele mandava encadernar, com direito a fita vermelha para marcar a página e acabamento em dourado. Era o sucedâneo que meu pai podia me proporcionar da tão desejada Enciclopédia Barsa, a salvação dos estudantes em uma época em que a Internet não aparecia nem em sonho nos desenhos dos Jetsons.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;A lembrança, tão querida, trouxe à tona também outros “cheiros” bons que me acompanham pela vida inteira. Como o dos velhos LPs, em um tempo em que se comprava disco não apenas pelas músicas, mas também pela capa e pelo encarte, produzidos por artistas como Elifas Andreato para músicos como Paulinho da Viola, João Bosco e Chico Buarque. Eu comp&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-gDYuMH99I/AAAAAAAAAA0/F7_3Al1nrps/s1600-h/memoria_olfativa.gif"&gt;&lt;/a&gt;rava os discos, de preferência em lojas como o Museu do Disco e Bruno Blois (quem se lembra?), que punham uma etiqueta com o nome da loja no canto direito da capa e davam de brinde uma sobrecapa plástica, para proteção da peça. Uma sensação boa de estar adquirindo uma obra artística completa, impensável para quem hoje baixa músicas compactadas pela Internet e as grava em um CD sem marca. A música não era para consumo, mas para deleite.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;O tour olfativo despertado pelo Atlas deixou o lado, digamos, intelectual, e foi para o estômago. Levou-me de volta às tardes de sábado, quando, por um bom tempo, minha mãe me oferecia generosos pedaços de torta de palmito, acabada de sair do forno, devorados ainda quentes com uma xícara grande de café preto, enquanto assistia à série “Os Waltons”, sobre a saga de uma família típica americana para sobreviver à grande depressão econômica. Hoje, o cheiro de uma boa torta de palmito me leva aos episódios estrelados por John Boy, o herói da série da TV. Da torta de palmito e café fresco, passado em coador de pano, fui para os preparativos das ceias de Natal da minha infância, que mesclavam aromas maravilhosos de pernil assado com uma torta de maçã com canela. Ou o cachorro-quente servido na lanchonete das Lojas Americanas. As divagações prosseguiram com as lembranças dos cheiros característicos das casas e até das pessoas. De quando eu entrava na casa do algum tio e, mesmo se estivesse de olhos fechados, poderia apostar onde estava. Ou do cheiro de creme da Avon que minha mãe passava com delicadeza no rosto e do óleo que meu pai usava para assentar o cabelo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Senti saudades até do cheiro casto das missas do domingo, das roupas guardadas com naftalina das beatas do bairro e até do cocô que o cavalo que puxava a carrocinha que entregava pão e leite na mercearia em frente à minha casa deixava na rua de paralelepípedos. Outro dia, passeando com minha cachorrinha pelas ruas de São Caetano, uma das poucas casas que ainda resistem ao boom imobiliário que desfigura a cidade exalava o cheiro de terra molhada pela chuva que acabara de cair misturada ao forte aroma de dama-da-noite.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Um festival de perfumes que transcende a mera sensação olfativa e tem o poder de transportar uma pessoa de volta as passado e contar sua história de vida por meio de frascos imaginários de formatos variados guardados na memória. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-3551436650776737191?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/3551436650776737191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=3551436650776737191' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/3551436650776737191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/3551436650776737191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/03/por-cludia-fernandes-outro-dia-ao.html' title='Memória olfativa'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-gD_-MH9-I/AAAAAAAAAA8/LJ0l_ZEZHdo/s72-c/memoria_olfativa.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-6299770950318147278</id><published>2008-03-24T12:22:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T00:36:39.827-08:00</updated><title type='text'>Salvem as árvores</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-gBY-MH97I/AAAAAAAAAAk/pArC57kMDOs/s1600-h/salvem_as_arvores.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181392899812095922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 165px; CURSOR: hand; HEIGHT: 398px" height="363" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-gBY-MH97I/AAAAAAAAAAk/pArC57kMDOs/s320/salvem_as_arvores.gif" width="165" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Por Cláudia Fernandes&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foram incansáveis pedidos de poda da árvore. O tronco,via-se, estava prestes a cair em cima de alguém a qualquer momento. Balança, balança e um vento mais forte poderia ser, injustamente, responsabilizado pela tragédia anunciada. Liga para a Prefeitura, para o Semasa e o jogo de empurra burocrático não levava a nada. O tronco continuava lá, capenga.&lt;br /&gt;Depois de quatro meses de pedidos incansáveis dos moradores da casa localizada na frente à árvore, eis que surgem os funcionários municipais. Apoiam a escada e sobem com a serra-elétrica. Cai o tronco pesado na calçada. Simpáticos, dão à moradora pequenas toras para que ela improvise bancos para tomar sol no quintal de casa.&lt;br /&gt;Três meses depois, ao olhar da janela da sala, a mulher vê de novo funcionários empuleirados na árvore. “Mas o que estão fazendo”, pergunta. “Vamos cortar o tronco”, respondeu um deles desinteressado. A mulher ainda tentou dizer que não precisava mais. Afinal, o serviço já tinha sido feito. E pior. Pelo mesmo funcionário, lembrava-se. Mas ele deu de ombros, disse a ela que tinha uma ordem de serviço e cortou o tal do tronco sadio. Foi embora com trabalho cumprido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*** &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A calçada estava novamente quebrada e o muro do quintal, trincado. Resultado da árvore plantada na frente da casa. Os fiscais da Prefeitura de Santo André vieram, olharam, chamaram a proprietária da casa. É de responsabilidade do morador manter o passeio público em condições apropriadas para a passagem do pedestre, disseram à mulher. Sim, mas ela queria mesmo era que transplantassem a árvore, inadequada para aquele espaço. Não. Eles não podiam fazer isso. E ela que tratasse de fazer o conserto da calçada. Mesmo assim, seria penalizada com uma multa e os fiscais voltariam para ver se a calçada ainda estava quebrada.&lt;br /&gt;Revoltada, a mulher não desistiu. Ligou de novo para a Prefeitura e para o Semasa. Quem poderia resolver o seu problema. Afinal, o muro de sua casa também estava com um racho enorme e não adiantava fazer outro que a raiz da árvore ia procurar refúgio de novo no seu quintal.&lt;br /&gt;Pois bem. Os funcionários voltaram à casa e falaram o mais curioso: “A senhora quebra o muro, faz uma garagem em frente da árvore e volta a chamar a gente porque nós não temos autorização de retirar árvore alguma da rua. Só teríamos se ela estivesse podre, cheia de cupim.” E foram embora de novo sem resolver o problema da mulher. Uma vizinha seguiu o conselho. Quebrou tudo e chamou-os de volta. Foi quando conseguiu o transplante da árvore que estava rasgando a calçada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Ministério Público considerou a cidade de São Caetano muito árida. Também, não é preciso ser observador contumaz para perceber a escassez de verde no município. Resolveu, então, que a Prefeitura deveria arborizar um pouco as ruas. Uma forma de compensação pelas árvores retiradas em construções recentes. A Prefeitura cumpriu a determinação.&lt;br /&gt;Passeando pelas ruas da cidade, um cenário interessante. Muitas das árvores que deveriam ser frutíferas no sentido mais literal da palavra estão numa secura de dar dó. Esturricadas. O prefeito José Auricchio Júnior esteve no Diário no fim do ano passado. Eu o questionei sobre o futuro dessas árvores. “Elas não vingaram”, disse eu ao prefeito. Auricchio, que mora no mesmo bairro que eu, Santo Antônio, disse que há muitas com folhagens. Visão esverdeada que eu não tive o prazer de ter. “Mas, disse, me dá mais dois ou três meses que as árvores vão ficar bonitas.” O prazo terminou e as árvores ainda parecem ter sido tiradas do sertão nordestino.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-6299770950318147278?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/6299770950318147278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=6299770950318147278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/6299770950318147278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/6299770950318147278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/03/salvem-as-rvores.html' title='Salvem as árvores'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-gBY-MH97I/AAAAAAAAAAk/pArC57kMDOs/s72-c/salvem_as_arvores.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6251337670255057750.post-7204027903686820322</id><published>2008-03-24T08:43:00.000-07:00</published><updated>2008-11-13T00:36:40.026-08:00</updated><title type='text'>A páscoa do Zeca</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-fN7-MH96I/AAAAAAAAAAc/eLEQCnwMwx4/s1600-h/pascoa_zeca.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181336326502872994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-fN7-MH96I/AAAAAAAAAAc/eLEQCnwMwx4/s400/pascoa_zeca.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por Cláudia Fernandes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos dias que antecederam o feriado da Sexta-Feira Santa, a televisão exibia à exaustão um comercial de uma determinada marca de cerveja que tem o cantor Zeca Pagodinho como garoto-&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-fM7eMH95I/AAAAAAAAAAU/fUmYHRnj4Ps/s1600-h/pascoa_zeca.gif"&gt;&lt;/a&gt;propaganda. Na peça, o cantor, conhecido pelos hábitos etílicos, conversa com supostos amigos, que abastecem um carrinho de supermercado com caixas e mais caixas da dita cerveja. “O que mesmo nós vamos comemorar neste feriado?”, pergunta um. “A folga do mala do chefe”, responde o cantor. Tudo bem, pode até ser que boa parte da população brasileira pense exatamente como o Zeca. Que o feriado, seja ele qual for, nada mais é do que um dia de folga do trabalho ou do estudo. Um dia para se levantar tarde, não fazer nada de útil e encher a pança de cerveja. É compreensível que pensem assim. Mas é triste. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para os cristãos, o feriado a que se refere o Zeca como o dia para se festejar a folga do chefe chato é guardado para se comemorar talvez a maior festa da cristandade, a Páscoa, ou a ressurreição de Jesus Cristo, depois de sua morte por crucificação, exatamente na sexta-feira que inicia o feriado. Reduzir isso a um dia em que é possível se empanturrar de cerveja é tirar do feriado toda a simbologia de renascimento, em todos os sentidos, que ele carrega. O que deveria ser um dia de reflexão passa a ser meramente um dia de esbórnia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mesmo raciocínio vale para as datas em que se homenageiam Tiradentes como o mártir da Independência, Nossa Senhora como a Padroeira do Brasil, e o Sete de Setembro como o dia em que os brasileiros deveriam reservar para o exercício de patriotismo, entendido como verdadeiro exercício de cidadania. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando criança, nascida e criada em família católica, meus pais me levavam à igreja de onde saía a procissão do Senhor morto na noite de sexta-feira. Tudo bem que me atraía também a pizza que vinha depois da obrigação. Mas ficaram também as emoções da encenação ao vivo da tragédia cristã. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tenho na memória também a fitinha verde e amarela presa à camisa branca do uniforme durante a Semana da Pátria. Tudo bem que eram os anos de chumbo e que a fitinha não era opção, mas obrigação. Mas restaram dessas ocasiões solenes noções de respeito que, tenho certeza, não são dadas aos estudantes de hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito pelo contrário. Parece que passamos de um extremo a outro. Da ditadura para a total falta de cidadania. A falta de amor e de orgulho do País em que vivemos. Hábito que os norte-americanos cultivam, ainda que de forma prepotente e exagerada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fato é que os feriados – e são tantos no Brasil! – se tornaram tão banais, que as pessoas só estão interessadas na segunda-feira em saber a meteorologia para o fim de semana prolongado. Tudo bem que um dia de folga, principalmente se tiver sol, convida ao lazer e ao descanso. E que uma cervejinha gelada vai bem com esses momentos. Se a cervejaria em questão apenas reflete o que pensa a população, minha proposta é que sejam abolidas as motivações que são dadas aos feriados. Já que eles não são reservados para a ida à igreja ou ao desfile cívico-militar, que sejam apenas transformados em dias extras de folga. E, aí, sim, poderiam ser chamados de Dia da Cerveja.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6251337670255057750-7204027903686820322?l=blogdocidadelas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/feeds/7204027903686820322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6251337670255057750&amp;postID=7204027903686820322' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/7204027903686820322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6251337670255057750/posts/default/7204027903686820322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdocidadelas.blogspot.com/2008/03/pscoa-do-zeca.html' title='A páscoa do Zeca'/><author><name>Cláudia Fernandes e Darlene Paiva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12575909533748352734</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_vCC0xTxK-8Y/R-fN7-MH96I/AAAAAAAAAAc/eLEQCnwMwx4/s72-c/pascoa_zeca.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
